As perguntas que um consultor imobiliário deve fazer antes de colocar um imóvel no mercado
16 de set.
3 min de leitura

Antes de publicar um imóvel, há uma etapa que merece mais atenção, olhar para ele como o mercado o vai perceber.
Não apenas como o proprietário o conhece, nem apenas como o consultor já aprendeu a vê-lo.
Mas como alguém que vai encontrar aquele imóvel pela primeira vez, primeiro através das fotografias, depois durante uma visita.
O imóvel está realmente preparado?
Estar limpo e arrumado não significa necessariamente estar preparado para ser apresentado.
É preciso perceber se a forma como o imóvel está organizado permite compreender os espaços, a circulação, a função de cada divisão e aquilo que realmente o diferencia.
Por vezes, o problema não está naquilo que falta, mas naquilo que está a mais.
Um móvel que ocupa demasiado espaço.
Uma divisão sem função evidente.
Demasiados objectos a competir pela atenção.
Uma disposição que funciona para quem vive na casa, mas dificulta a leitura de quem entra pela primeira vez.
A pergunta é simples, o que é que este imóvel está realmente a comunicar neste momento?
As fotografias mostram aquilo que precisa de ser vendido?
As fotografias são muitas vezes o primeiro contacto do comprador com o imóvel. Por isso, não basta serem tecnicamente boas. Precisam de mostrar aquilo que é importante perceber, a luz, a dimensão, a função dos espaços, a circulação, as características que podem diferenciar aquele imóvel.
Uma sala pode ser ampla, mas parecer pouco funcional.
Um quarto pode ter boa dimensão, mas perdê-la visualmente pela forma como está mobilado.
Antes de fotografar, é preciso decidir o que o imóvel precisa de mostrar.
A preparação e a fotografia não devem ser pensadas como etapas separadas. A fotografia regista aquilo que foi preparado para ser visto.
Há divisões cuja função não é clara?
O comprador não conhece a história da casa. Não sabe como aquela divisão é utilizada pela família que lá vive, nem porque determinados móveis estão naquele lugar.
Se uma divisão exige demasiada explicação, talvez seja necessário voltar a olhar para a forma como está apresentada.
Um espaço pode ter potencial para várias utilizações, mas quando nenhuma delas é suficientemente evidente, pode acontecer que nenhuma seja compreendida.
A função não precisa de ser rígida.
Precisa de ser suficientemente clara para que o comprador consiga começar a imaginar como aquele espaço poderia funcionar para si.
O proprietário está a apresentar como vive, ou como o mercado precisa de perceber?
Uma casa habitada reflecte a vida de quem lá mora. Os móveis, os objectos, a organização respondem às necessidades daquela família. Mas vender uma casa implica uma mudança de perspectiva. O proprietário conhece aquele espaço. O comprador não.
O que funciona perfeitamente para quem vive ali pode não ser a forma mais eficaz de o apresentar a quem está a considerar comprá-lo.
Preparar não significa apagar a identidade da casa.
Significa criar espaço para que outra pessoa consiga imaginar a sua própria vida ali.
É aqui que o Home Staging assume um papel estratégico, não para transformar uma casa num cenário, mas para revelar melhor o que o imóvel tem para oferecer.
Se as primeiras visitas não produzirem propostas, o que será analisado?
Esta pergunta devia ser feita antes de o problema aparecer.
Se começam a existir visitas, mas não surgem propostas, importa perceber o que está a acontecer durante essa experiência.
O comprador não compreendeu alguma divisão?
As fotografias criaram uma expectativa diferente?
Existe alguma característica importante que não está a ser percebida?
Uma visita sem proposta não dá, por si só, uma resposta.
Mas dá informação.
E essa informação deve ser analisada antes de assumir que é preciso baixar o preço ou aumentar a divulgação.

Preparar antes de reagir
Estas perguntas têm uma coisa em comum, obrigam a olhar para o imóvel antes de olhar para os resultados. Antes de haver visitas sem propostas. Antes de surgir a necessidade de justificar o imóvel. Antes de o consultor precisar de preencher, durante a visita, aquilo que o espaço devia ter comunicado sozinho.
É aí que o Home Staging assume um papel estratégico.
Não substitui o trabalho do consultor imobiliário.
Prepara o imóvel para que esse trabalho comece com melhores condições.
Um imóvel que entra no mercado sem ter sido verdadeiramente analisado vai ser o mercado a analisá-lo por nós.
E quando começam a surgir as primeiras reacções, já estamos a reagir a algo que podia ter sido pensado antes.
Trabalho com consultores imobiliários em Lisboa, Torres Vedras, Ericeira, Cascais e em todo o Portugal, precisamente nesta fase, antes de o imóvel entrar no mercado.
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